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Jornal Caderno Jurídico



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Casal de Tapira denuncia suposta compra de votos

Às 6 da manhã Gaeco acorda o prefeito de Tapira, Cláudio Graia, para cumprir mandados de busca e apreensão em vários documentos. Um vereador e correligionários também foram alvos.

14/11/2020 às 21h04 | Atualizado em 14/11/2020 às 21h10
Divulgação Casal de Tapira denuncia suposta compra de votos Gaeco cumpre mandados de busca e apreensão na casa do prefeito de Tapira, Cláudio Graia, e em outros locais

Quarta-feira, 11, o candidato a prefeito de Tapira pelo PSL, coligação “Tapira, Podemos Fazer Melhor”, Luís Wanderley Gazoto, publicou em sua rede social um vídeo, noticiando uma suposta compra de votos em Tapira. Um casal confirma uma proposta de corrupção eleitoral por parte de um cabo eleitoral, depois de um candidato a vereador, e por fim, dos candidatos a prefeito e vice da situação.

De acordo com o vídeo, Edvaldo e Jéssica, ambos moradores de Tapira, relatam a Gazoto que, ao saberem de sua campanha eleitoral para prefeito, espontaneamente decidiram apoiá-lo. Colaram o adesivo do 17 no carro.

Narra o vídeo que alguns apoiadores da situação, composta pelo PSC, representada por Cláudio Sidney de Lima e Donizete Egea, coligação “Continuar é Preciso, com o número 20, começaram a tirar sarro do casal. Falaram que o veículo deles estava ficando feio, pedindo para tirar o 17 do carro. Também perguntaram o que Edvaldo e Jéssica haviam ganhado dos apoiadores, vereadores e candidatos a prefeito e vice do 17.

Prontamente Edvaldo e Jéssica responderam que não ganharam nada. Que colocaram o adesivo por livre e espontânea vontade. Não satisfeitos, os opositores do 17 continuaram a questionar os motivos de estarem com o adesivo.

Segundo o vídeo, um cabo eleitoral de Cláudio disse ao casal que um vereador poderia ajudá-los. A todo momento, esse cabo eleitoral estaria indagando-os para trocarem de lado. Para deixarem de apoiar Gazoto e Trojan e apoiar Cláudio e Fí.

Conforme o vídeo, o cabo eleitoral do 20 foi certeiro e perguntou o que o casal estava precisando. Edvaldo logo respondeu que “precisava de bastante coisa”. Os fatos aconteceram no momento em que o imóvel do casal se encontra em construção e, em razão da crise, estão sem condições financeiras para terminá-lo.

De acordo com o vídeo, Edvaldo questionou o cabo eleitoral se ele o ajudaria mesmo. O cabo confirmou que sim. Mas que a ajuda só viria se tirassem o adesivo do 17 do carro. O vídeo aponta que Edvaldo decidiu ver até onde iam as propostas. Edvaldo conta que o apoiador da situação ficou lhe perturbando uns três dias consecutivos, com o propósito de fazer o casal mudar de opinião e passar a apoiar Cláudio e Fí. Segundo Edvaldo, até a caminho do serviço foi interpelado pelos seguidores de Cláudio.

Em certo momento, de acordo com o vídeo, Edvaldo não hesitou e mandou o cabo eleitoral do 20 chamar o tal vereador. Alguns dias depois o vereador compareceu na residência do casal. Segundo Edvaldo, o vereador perguntou o que estava faltando terminar em seu imóvel. Edvaldo disse que parou no forro, mas ainda teria piso para colocar e utensílios de banheiro. Segundo Edvaldo, o vereador disse que era muita coisa e que não poderia ajudá-los com tudo. Mas que poderia ajudar com a metade do forro e, se eleito, poderia ajudar com a outra metade. De acordo com Edvaldo, o vereador falaria com o prefeito e que o prefeito iria até sua casa.

No vídeo, Edvaldo explica que dia 3 de novembro compareceu em sua casa o vereador da situação, Fí e Cláudio. Segundo Edvaldo, todos falaram que teriam ido em sua casa para acertar. Edvaldo afirma que Cláudio disse que o que ele fechasse com o vereador ele ajudaria.

De acordo com o vídeo, Edvaldo conta que a situação teve a certeza que tudo estava acertado entre eles e os apoiadores do 20 já foram metendo a mão e arrancando o adesivo do 17 do carro. E já colocaram o 20 na janela da residência do casal.

No vídeo, consta que alguns dias se passaram e o cabo eleitoral do 20 levou a nota para o casal retirar o material. O casal foi ao depósito. Apresentou a nota e pegou o material. Edvaldo informa que a nota veio em seu nome. Afirma que não pagou pelo material.

O casal está denunciando a compra de votos e quer levar o material à Justiça. O material, segundo Edvaldo, tem o valor aproximado de R$ 1.200,00.

 

Cláudio diz que é armadilha

Também circula nas redes sociais um áudio de Cláudio. Afirma que vários vereadores de sua chapa foram procurados pelo casal. Segundo Cláudio, o casal pedia para que os vereadores comparecessem em sua residência. Relata ainda que isso se trata de uma armadilha.

 

Denúncia no Ministério Público Eleitoral

No vídeo, Gazoto informa que denunciou o caso no Ministério Público Eleitoral de Cidade Gaúcha. A suposta compra de votos em Tapira já está sendo investigada pelas autoridades competentes.

 

Gaeco e o Ministério Público batem na porta da casa do prefeito Cláudio Graia

Na manhã de quinta-feira, 12, cedo, às 6 da manhã, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Maringá, acordou o prefeito Claudio Graia para cumprir mandados de busca e apreensão em sua residência e escritório de advocacia. Agentes, delegados e promotores do Ministério Público estadual participaram da operação, que também contou com buscas e apreensões em outros locais da cidade. O Gaeco foi até a casa do sobrinho do candidato a vereador que, segundo a denúncia, foi o cabo eleitoral que começou com a proposta. O Gaeco também acordou o candidato a vereador. A Polícia Militar, através da Rotam do 7º Batalhão de Cruzeiro do Oeste, prestou apoio, isolando os locais para evitar aglomerações. A investigação do Gaeco segue. A redação apurou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado saiu de Tapira com dezenas de documentos.

 

Matéria está nas páginas do jornal Coluna D'Oeste, impresso de sexta-feira, 13 de novembro 2020. Acesse também www.jornalcoluna.com.br. 

 

Anderson Spagnollo
Da Redação
contato@cadernojuridico.com.br

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