Publicidade
Publicidade

Jornal Caderno Jurídico

Educação

Por uma educação que nos ensine a pensar

28/1/2020 às 0h17 - Helton Kramer
Divulgação Helton Kramer “É preciso buscar formas que permitam aos educadores ter condições de estimular pautas de inovação em suas aulas, repassando os conteúdos e ao mesmo tempo cultivando competências inovadoras”, afirma o professor Helton Kramer

Em entrevista para o blog Educação Baiana, o pedagogo Rubens Alves afirmou: “estou pensando há um tempo em propor um novo tipo de professor: é um professor que não ensina nada. O objetivo da educação não é ensinar coisas, porque as coisas já estão na internet, estão nos livros e estão por todos os lugares”. Crítico do sistema educativo brasileiro, professor Rubem Alves defendeu profundas mudanças na forma em que as matérias deveriam ser repassadas aos alunos. Em diversos momentos defendeu a atuação de um professor que ensine a pensar e a estimular a curiosidade dos alunos, ao invés de apenas “despejar” matéria sem a devida aprendizagem.

O sistema atual tem demonstrado uma gama significativa de alunos sem um mínimo necessário de conhecimento e com altos índices de reprovações em provas e avaliações institucionais. Embora estejamos vivendo em uma época de inovações pedagógicas e educacionais e de desenvolvimento de novas tecnologias, os resultados nas avaliações de qualidade são insatisfatórios.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2018, divulgado pelo Ministério da Educação e pelo INEP, demonstra que o país não atingiu as metas nos anos finais dos ensinos fundamental e médio. Mais de 70% dos alunos que finalizaram o ensino médio no Brasil não conseguiram atingir níveis considerados básicos em Matemática e Português.

Diante de tantos problemas diuturnamente encontrados pelos professores, deveria haver um processo contínuo de aperfeiçoamento dos currículos escolares, dos materiais didáticos e qualificação de professores. Contudo, o que ocorre na prática é formação de profissionais de forma superficial sem o devido preparo para resolver os problemas sociais de uma forma eficiente. Cada vez mais, percebe-se que professores e alunos são reféns de um mecanismo que ensina se obter o conhecimento de fatos, mas não se ensina a capacidade de usar esses fatos para resolver problemas, transferindo conhecimento de forma acrítica.

Lutar contra este contexto é uma tarefa difícil, porém não impossível! O que o saudoso pedagogo Rubem Alves quis nos passar é a necessidade de desenvolver um pensamento inovativo, criativo e crítico, proporcionando um aprendizado contínuo e prático, capaz de auxiliar os estudantes a desenvolver essas competências.

Precisamos preparar os jovens para o mercado de trabalho que tenham condições de resolver os problemas sociais de uma forma mais eficiente. Não iremos alcançar este objetivo sem interdisciplinaridade, sem a provocação do aluno em encontrar a curiosidade em se aprofundar em certa área e, ao final, descobrir o que mais lhe traz felicidade em fazer na sociedade.

Existe legitimidade em exigir a responsabilidade dos professores, de todos os níveis de ensino, para que promovam o aprendizado dos alunos de forma consciente e autônoma. Falo enquanto professor, que é um dever do docente preparar os alunos, inspirado na liberdade de pensamento, deixando-os apto ao exercício da cidadania e qualificados para o mercado de trabalho (artigo 2º da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional). Além disso, precisamos entender que a aprendizagem é mais importante que o ensino, de forma que a “escola/faculdade” precisa repensar a formação dos futuros profissionais. E neste contexto, o professor é responsável pela aprendizagem, não sendo um simples profissional que dá aulas, mas o mentor da revolução intelectual que deverá provocar reflexões e curiosidades dos alunos.

Ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz de 2014, Malala Yousafzai discursou no sentido de que: “uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”. Bom, certo disso, o aprendizado deve desenvolver nos estudantes suas habilidades de resolução de problemas, isto é, cultivar uma educação orientada para ação, o que será fundamental para mudança de postura educacional.

Em linhas gerais, a reflexão realizada no presente artigo não visa promover um embate ou desiquilíbrio entre a tradição e a inovação, mas sim buscar formas que permitam aos professores ter condições de estimular pautas de inovação em suas aulas, repassando os conteúdos e ao mesmo tempo cultivando competências inovadoras.

 

Helton Kramer Lustoza é Procurador do Estado do Paraná, professor e coordenador do curso de pós-graduação em Direito Administrativo e Municipal da Unipar, campus Umuarama/PR, autor do livro “Eficiência Administrativa e Ativismo Judicial” (editora Ithála), especialista em Direito Tributário, professor da Universidade Positivo e professor convidado do COTEF-RJ, ESAF e ESA-OAB. Acesse também heltonkramer.com.

Publicidade

APOIADORES

Publicidade
  • Anuncie aqui